Parte II - Mais 350 palavras (podem contar...)

II
Os dois ainda vestiam a roupa da festa. Ele, um fraque alugado numa lojinha de esquina. Ela, o vestido que a mãe usara no terceiro casamento. Vê-la, ali, assim, serena, transmitia-lhe um sentimento reconfortante. Era como se as últimas treze horas nunca tivessem existido. Lembrou-se do dia que a conheceu. Essas recordações, sim, eram claras dentro de sua cabeça. Por mais que quisesse esquecê-las. Ela, linda como agora, perguntou-lhe um endereço qualquer. Ele não tinha idéia do que dizer. Hipnotizado, os pés privados de qualquer apoio, dispôs-se a ajudá-la a procurar.
Conversaram por horas, andaram pelas ruas desertas daquele feriado. Encontraram-se duas, três, quinze vezes. Não entendiam bem o que acontecia. Mas sabiam que não mais poderiam viver longe um do outro. Casar-se-iam em maio, mês das noivas. Ela, romântica assumida, não abriria mão da data. Ele, rude, mas apaixonado, concordava com tudo que a noiva pedisse. Acertaram tudo, compraram o enxoval, escolheram os padrinhos, o bufê, as músicas. Enviaram os convites. A cerimônia aconteceria na cidade natal dos dois, no interior do estado. Era de onde voltavam.
As saudades do futuro que haviam rascunhado enchiam-lhe o peito de farpas. Aquilo doía. Onze horas e dezessete minutos de volante. Nove e quinze da manhã no relógio. Usava-o na mão direita. Ao menos para isso ela servia. Mais sessenta quilômetros e chegaria ao destino planejado. Estava acostumado a dirigir sozinho, perdido em seus pensamentos. Afinal, ela sempre dormia nas viagens. Bastava-lhe tomar três comprimidinhos que só acordaria na chegada.
Os dois ainda vestiam a roupa da festa. Ele, um fraque alugado numa lojinha de esquina. Ela, o vestido que a mãe usara no terceiro casamento. Vê-la, ali, assim, serena, transmitia-lhe um sentimento reconfortante. Era como se as últimas treze horas nunca tivessem existido. Lembrou-se do dia que a conheceu. Essas recordações, sim, eram claras dentro de sua cabeça. Por mais que quisesse esquecê-las. Ela, linda como agora, perguntou-lhe um endereço qualquer. Ele não tinha idéia do que dizer. Hipnotizado, os pés privados de qualquer apoio, dispôs-se a ajudá-la a procurar.
Conversaram por horas, andaram pelas ruas desertas daquele feriado. Encontraram-se duas, três, quinze vezes. Não entendiam bem o que acontecia. Mas sabiam que não mais poderiam viver longe um do outro. Casar-se-iam em maio, mês das noivas. Ela, romântica assumida, não abriria mão da data. Ele, rude, mas apaixonado, concordava com tudo que a noiva pedisse. Acertaram tudo, compraram o enxoval, escolheram os padrinhos, o bufê, as músicas. Enviaram os convites. A cerimônia aconteceria na cidade natal dos dois, no interior do estado. Era de onde voltavam.
As saudades do futuro que haviam rascunhado enchiam-lhe o peito de farpas. Aquilo doía. Onze horas e dezessete minutos de volante. Nove e quinze da manhã no relógio. Usava-o na mão direita. Ao menos para isso ela servia. Mais sessenta quilômetros e chegaria ao destino planejado. Estava acostumado a dirigir sozinho, perdido em seus pensamentos. Afinal, ela sempre dormia nas viagens. Bastava-lhe tomar três comprimidinhos que só acordaria na chegada.
Procurou a placa familiar que indicaria a saída correta. Observou a cerca das fazendas, as reses magrelas, o mato seco, os dizeres da traseira de um caminhão. Avistou a saída, diminuiu a marcha, pisou levemente o freio. Fez a curva com cuidado para que a mulher não se mexesse. Olhou para o céu. A chuva não iria parar. Parecia que dali em diante todas as suas manhãs seriam como aquela, com o sol intimidado pelo volumoso anteparo das nuvens cor de chumbo. Em verdade, não queria mais ver o sol ou qualquer coisa que lhe desse esperanças. Perdeu-as todas na noite anterior.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home